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O tio Charles hospedou Redi em Paris. Só havia um problema: seu cachorro feroz, que ficava preso enquanto havia pessoas na casa. Certa
manhã, o tio Charles soltou o cão e todos saíram. Menos o Redi, que passou o dia
escrevendo como era Paris de dentro de um quarto da casa, por causa do cachorro.
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Redi morava no Village, em Nova York, nos anos 80, e costumava tomar o breakfast junto
com o irmão Luiz, numa cafeteria onde o garçom era gay. Quando Luiz voltou para
o Brasil, o garçom perguntou a Redi onde estava aquele companheiro dele. “He is
my brother!”, respondeu. Mãos na cintura, o garçom comentou: “I know
brothers!!!”
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Ainda no Village, Redi tinha uma companheira que só lhe dava carinho: sua gatinha branca e preta chamada Neném que o acompanhou durante
muitos anos. Numa pequena delicatessen,
no momento de pagar a conta das comidinhas que ele tinha comprado para ele e
para ela, a caixa chamou-lhe a atenção, dizendo que o patê que estava levando
junto com outras comidas era para gatos. Redi respondeu: “Eu sei, é que estou
cansado de comer patê pra cachorros”.
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Redi condicionou sua presença no casamento de um primo, no Canadá, caso pudesse levar uma namorada não judia que adorava casamentos
judaicos. A resposta foi imediata: “claro que sim”. Esta namorada foi a surpresa
que o Redi preparou durante mais de um mês. A namorada era o irmão Luiz.
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Ainda as Coleções Roberto Pedroso
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Pedroso era movido pelo interesse do que não encontraria lugar ou abrigo dentro
dos cânones clássicos do registro arquivístico ou museológico. Pode-se, sem
margem de erro, asseverar que o conceito geral que norteou o mote de seus
acervos - que encontra respaldo técnico, cultural e financeiro no chamado
"primeiro mundo", tanto da comunidade acadêmica quanto do mercado - foi a noção
de "EPHEMERA".
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O que o orientou nesta tarefa, consumidora
de mais de 60 anos de vida, foi a percepção
refinada que poucos estariam a valorizar,
no momento contemporâneo, a produção
do que fosse usual, costumeiro, integrante
não emocionador do cenário circundante;
em suma: do DESCARTÁVEL, indigno de
ser preservado, catalogado, estudado,
arquivado!!
Mas que o olhar distanciado, a futuro,
poderia a reconhecer como bem cultural.
Nada mais paradigmático, portanto, que as
coleções de rótulos e embalagens, dede o
século XIX, verdadeira retrospectiva da
evolução do design industrial. Das quase
4.000 charges originais de mestres do |
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Da sintaxe da publicidade e de sua linguagem visual, documentada em aspectos,
meios, períodos e amplitudes quase infinitos: o cartão de visita, o anúncio em
periódico, o cartaz, o brinde (chaveiros, isqueiros, espelhos, agendas,
espátulas, cinzeiros, canetas, abridores de garrafas, etc), direcionados a
variadíssima gama de objetivos: comerciais, políticos, eleitorais, desportivos,
religiosos, estratégicos, diplomáticos, industriais, pessoais, etc, etc.
Quem
poderia perceber que a guarda, conservação e arquivo de peças de propaganda tão
singelas, por quase um século, viria a constitui-se em verdadeiro panorama da
história da publicidade? Ou que colecionar os até recentes cartões/crachás de
PVC, de bancos (magnéticos ou não), de crédito, de telefone, iria constituir-se
numa venturosa aula de design industrial? O mesmo das carteiras de cigarro, das
ventarolas de carnaval, dos guardanapos de papel timbrados, das
caixas-embalagens metálicas (de penas de caneta ou de pílulas ou de agulhas de
vitrola) estampadas - ao nosso ver do século XXI - com esmeradíssima composição
de cores ?
Enfim,
porque, em alguns, a sensibilidade para observar a realidade objetiva aparente
do momento conseguiu antever arte ou história, quando à maioria restou apenas
reconhecer como o óbvio descartável, por não mais utilitário? Uma pista: a
atenção meticulosa, quase obsessiva, do ambiente, aliada ao olhar que se treina,
e treina, e treina, todo dia, como se depreende de uma nota registrando cada
atividade e despesa de 4 dias de viagem nos EUA, deixada por Pedroso.
Creio
que garimpar a antiguidade ou o item de coleção já consagrado pelo tempo é
tarefa menor; grandioso foi perseverar no inspirado palpite do que viria, daí a
40, 50, 60 anos, constituir-se em objeto de disputa e sôfrego colecionismo. Aí
reside o talento, o “faro aguçado”, o olhar não conformista: antever, antecipar
e prever com acerto o que o futuro haveria por consagrar. Afinal, qual era a
opinião corrente à época em que se fabricaram os primeiros trabalhos de E.
Gallé?
Ao nosso amigo Pedroso, muito obrigado por haver reunido este colosso de
informações, esta aula da evolução da embalagem, da publicidade, da propaganda,
da charge, da caricatura, da ilustração. E muito mais gratos por permitir fosse
por tantos partilhada. |
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