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Com dois anos de idade, ue a empregada tinha um namorado. Aos sete anos, ele foi
repreendido pela professora, no Colégio A nglo Americano: “Só falta você
continuar desenhando quando crescer”.
Esses dois episódios fortuitos acabariam se constituindo em fatos marcantes na vida de Redi; afinal, desde cedo ele manifestou o
amor que dedicaria à arte até o final de seus dias.
E o interesse que tinha pelo desenho produziu um outro fato curioso. O pai de Redi era canhoto e a mãe, temerosa de que ele
também escrevesse com a mão esquerda, sentava-se do seu lado para forçá-lo a
usar a direita. Resultado: tornou-se ambidestro. Desenhava com a esquerda e
escrevia com a direita.
Redi parecia não ter dúvidas quanto ao futuro. Ele não dava a menor importância aos brinquedos tão comuns na infância: trocava
esse divertimento pelo prazer de desenhar na areia das pracinhas. Com isso
desenvolveu, muito jovem, um traço típico que o diferenciou ao longo de sua
trajetória como artista.
A música foi outra de suas paixões. Aos 7 anos, teve a sua iniciação, através de um piano comprado pela mãe. Na seqüência dos
anos, a familiaridade com instrumentos de sopro, como clarineta, flauta doce,
saxofone e trompete, foi uma constante até chegar na percussão. Ele chegou a ter
aulas de instrumentos de sopro no Conservatório Brasileiro de Música.
Sua vida escolar inclui estudos de mecânica na Escola Técnica Nacional; desenho de arquitetura na Fundação Getúlio Vargas e
fotografia na Associação Brasileira de Arte Fotográfica.
NO JORNALISMO
Se demonstrou precocemente o seu talento para as artes, Redi também deixou cedo sua marca na imprensa: em 1958, com apenas 18
anos de idade, trabalhando na Bloch Editores, produzia a contracapa da revista
Manchete Esportiva, justo no ano em que o Brasil conquistou seu primeiro título
mundial de futebol, na Copa da Mundo da Suécia.
O currículo de Redi na imprensa é extenso: trabalhou na Editora Brasil América (histórias em quadrinhos), nos jornais A Notícia,
Correio da Manhã (ao lado de Fortuna), O Globo, Última Hora e Pasquim (escrevia
textos, fazia charges e era modelo de fotonovelas), nas revistas Shalom, Fatos e
Fotos, O Cruzeiro, Status, Pop, Senhor, Playboy, Pif Paf, Bundas, Enciclopédia
de Humor da Colômbia, Cara Alegre (Portugal), Crisis (Argentina), Pardon
(Alemanha), Plus and Plexus (francesa), Gallery, National Lampoon, Fortune e
Time (Estados Unidos).
No final dos anos 70, já residindo em Nova York, Redi conseguiu um feito extraordinário: publicou a primeira e única ilustração
da capa do New York Times. O jornal, um dos mais importantes do mundo, gostava
tanto de seu trabalho que solicitou ao serviço de imigração que fornecesse ao
Redi um Green Card, prontamente concedido, e, posteriormente, a sua cidadania
americana, igualmente aprovada. Ele também fez ilustrações para o Wall Street
Journal.
NA PUBLICIDADE
A house agency da The Sidney Ross Co, a Gallus Xavier e a JWT Thompson foram as agências em que Redi trabalhou. Para a Thompson,
criou a ilustração da campanha “Quem não é o maior tem que ser o melhor”,
produzida para a Atlantic (distribuidora de combustíveis posteriormente
absorvida pela Ipiranga). Ganhou medalha de ouro no Prêmio Colunistas, quando
trabalhava na Redinger Propaganda, de seu irmão Luiz. Em São Paulo, esteve um
tempo na DPZ.
NA FOTOGRAFIA
Redi poderia ser chamado de artista multimídia, tal sua capacidade de realizar com talento uma série de atividades. Na
fotografia não foi diferente: ganhou vários prêmios com fotos preto e branco,
uma de suas paixões.
NA TELEVISÃO
Nos anos 70, Redi escreveu para o programa “Planeta dos Homens”, da Rede Globo, ao lado de Max Nunes e Haroldo Barbosa. Anos
mais tarde, embora estivesse na ponte aérea Nova York/Rio, fez parceria com Hans
Donner para a produção de uma série da animações do Plim Plim da Rede Globo e
aberturas das novelas Dona Flor e seus Dois Maridos e Sexo dos Anjos. Criou
ainda ilustrações computadorizadas, através do Paint Box, para a NBC Cable.
NA MÚSICA
O músico Paulo Castro, um dos criadores do grupo Torresmos e Moelas, conta como Redi começou a fazer parte da turma:
“Conheci Redi na Academia de Capoeira do Neyder, em Botafogo, na década de 60. A partir daí, construímos uma grande amizade, que
durou por todo o tempo em que ele esteve entre nós.
Quando comecei a tocar cavaquinho e a promover, semanalmente, uma roda de samba em minha casa, Redi juntou-se ao grupo, com seu
tamborim e sua cuíca. Era um excelente ritmista. Gostava muito de um samba do
Silas de Oliveira, chamado “Apoteose do Samba”, que sempre pedia para nós
cantarmos.
Um dia, no seu desejo de evoluir no tamborim, Redi foi à Portela conversar com Mestre Marçal. Paulinho da Viola, também seu
amigo, o indicou ao Mestre. Queria ter umas aulas e sair na bateria. Parece que
teve as aulas, foi a alguns ensaios, mas não chegou a desfilar.
Há mais ou menos dois anos, o grupo “Torresmos e Moelas”, criado por mim e por Henrique Sodré, promoveu, durante algum tempo, uma
roda de samba no Planetário da Gávea, às sextas-feiras. Redi já estava morando
nos Estados Unidos mas, sempre que vinha ao Brasil, dela participava. Aliás, o
desenho do estandarte do grupo, que ficava pendurado atrás dos músicos, é dele.
O da camisa também. Infelizmente, em uma sexta-feira, mesmo estando aqui no
Brasil, ele não apareceu. Deixou a eterna saudade nos amigos”.
NAS ARTES
Um dos exemplos do reconhecimento internacional à qualidade da obra de Redi é o New York Museum of Modern Art (MOMA), que lhe
encomendou cartões de Natal – autor de maior vendagem nos dois anos em que foi
convidado. Com suas ilustrações, ganhou prêmios na Alemanha e no Japão. Produção
de cartões (para casamentos, aniversários e outros eventos) Redi também fez para
Thomas de La Rue.
De 14 abril a l5 de maio de 1981, realizou a primeira individual de sua vida (guaches em papel), na Zoma Gallery, em Manhattan,
Nova York.
NA COZINHA
A cozinha, ou mais particularmente, a fabricação de pães, era um dos hobbies do Redi. Ele estagiou no restaurante Garcia &
Rodrigues, no Leblon, e ensinou gastronomia no Iate Clube do Rio de Janeiro.
Tinha especial prazer em oferecer a amigos as receitas bem-sucedidas que fazia
em sua casa.
Certa vez, indagado por que o bacalhau que fazia demorava tanto a ficar pronto, comentou: “Isso tem que ser feito aos poucos,
porque, para ficar bom mesmo, a cebola tem que conversar com o tomate, o tomate
com o pimentão, o pimentão com a azeitona...”
NA INTIMIDADE
Um dos traços marcantes da personalidade de Redi era o bom humor. Há muitas histórias engraçadas na sua vida.
Ao embarcar no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, uma comissária de
terra perguntou se ele era humorista. A resposta, no ato: “Como é que a senhora
descobriu? Foi pela minha maneira
de andar?”
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